sexta-feira, 23 de outubro de 2015


Ausência de Sentido

Sem memória de eu gosto
Perdendo os sentidos de você
Cheiro
Toque veludo
Calor de arrepiar
Agonia de não mais te olhar
Em "close" 
Tatear teus desejos 
Agonia de não te amar.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Aos Mestres e Amigos de uma Outra Era

Sinto saudade de gente com memória
Gente que tem história pra contar
Sempre viajei em histórias alheias
Até viajei na gramática
Quando era o Lacerda quem contava
Das coisas dos livros
E das coisas do Seminário
E de ter saído de lá
Daquelas histórias
De um mundo diferente
Em que o poder
Estava escondido nos livros
Por trás das paredes dos monastérios
Dentro das paredes da escola
Estórias da História de Sônia Torres
E do espírito crítico do Amir Resende
E de Miss Penha e seu inglês
Que aterrorizava a gente
Com os verbos regulares
As molequinhas do Jacinto
E aqueles olhos do "ti" Toninho
E sua amável biologia
Tempos de ver Maria
A dona da biblioteca
Se era da coleção Vagalume
Se era de Ágatha Christie
Ou se era de Jorge Amado
Tudo bem registrado
Tempos de subir o morro
Do Estadual a pé
E chegar mais cedo
Pra jogar peteca
Ou vôlei de dupla
Com bolinha de papel
Subir e descer as arquibancadas
Pra dona Sônia
Deixar a gente jogar vôlei
Tentar o jornada nas estrelas
E deixar o outro time doido
Conseguir pegar as cortadas
Dos marmanjos do time masculino
As merendeiras da cantina
E seu temperos de ouro
Não eram só os professores
Foi toda uma constelação
Marcou a vida da gente.
Tempo em que ser diferente
Se espírita ou crente
Tinha que acordar mais cedo
Pra aula de religião
Que era como deveria ser
Conhecer um pouco mais a Bíblia
E a gente estudava Moral e Cívica
Com os belos olhos do Zé Aílton
Pessoa fina e que parecia meu pai.
Era um tempo diferente
O tempo de uma outra escola
Ou será que era o tempo
Que vamos sempre enxergar com o brilho
Que se enxerga na aurora?

Katia Provette

segunda-feira, 12 de outubro de 2015


Achei meu primeiro neologismo:
MADRUGALHO.
É um substantivo com valor adjetivo.
Igual a deu galho na madrugada!
Pode ser coisa engraçada
Ou coisa pra lá de sem graçaPode ser uma pequena bobagemOu uma grade traquinagemSó sei que deu galho na madrugada!Mas pode ser só uma impressãoVai que outro espertalhãoJá fez meu neologismo primeiro.Não me preocupo em ser pioneiroKátia Provette






Entre o que fui e o que serei
Existe a estrada
E na estrada
Pedras e flores
Paixões e amores
Sorrisos e lágrimas
Satisfações e faltas
Volúpias e apatias
Coragens e covardias
E dias
Dias
E dias




Katia Provette


Eu te possuo
Ou tu me possuis ?
Não sei dizer
Mas no teu espaço
Liberto meu ser
Voo e sou chamada ao chão
Amplio meus sentidos
Afio minhas garras
Firo com palavras
Acaricio qual pétala macia
Viajo dentro de sonhos
Desperto ilusões
Escutou vozes angelicais
Exorcizo seres insanos
Afugento tantos fantasmas
Calores me cercam
Euforia
Mas o teu mais maduro
Me alivia, brisa fresca
Calmaria
Luas
Estrelas
Nuvens
Silêncios
Gemidos abafados
Não tenho medo
A certeza me atesta
Tu és meu terreno
Quintal de prazeres
E de afazeres
Quase sempre suaves


Kátia Provette


Mas o dia que foi
Mas o mês que foi
Mas dois meses
Mas doze deles
Mas uma sucessão de meses
Mas uma coleção
Fieira de anos
E você nem mesmo
Consegue divisar,
Não se valeu a pena
Mas se acertou
Se existe culpa
Que mereça perdão
E se o perdão existe de fato
No teu ser presente pra você
Ou se é discurso
Impávido impostor
Mas o dia que foi
E o mês e os meses
Incendiárido 


Arde terra
Arde pasto
Arde pedra
Arde Itaúna
Ar de carvão
Ar de fumaça
Ar de inconsciência
Ar de impotência
Ar de demência
Que falares
Constantes e tantos
Não são bastantes
Pra tomar tenência
Arde pedra Itaúna
Arde em nossas narinas
Ar de nossos pulmões
Que faltem
Enquanto falta vergonha
De não se querer
Aprender cuidar de nossa terra.
Nocaute pra mim
Eu gritaria alto
e me descabelaria
bem aqui e agora
mas quem me escutaria??
apenas os anormais
que cotidianamente
ousam me chamar de louca
se canto mais alto
se grito cansaço
se mitigo colo
se mendigo carinho
se grito poesia
se sonho em vermelho
se exponho desejos
se escondo
ou se revelo
Então
heis que me calo
entre palavras escritas
salto montanhas de sonhos
aperto de belisco meus pares
semi-presentes
semi-amores
sêmen de flores
a nascer em algum sonho
o bisonho
o medonho
o triste
não existe
Mas saudade
coisa esquisita
e sem graça
me vence por trapaça
nocaute pra mim!

domingo, 4 de outubro de 2015



Estranhamente canibal
Rima com animal
Estranhamente eu devoraria você
Apenas ao natural
Apenas com o teu sal
Ou o que vier de doce
Não quero o gosto de sangue
Mas essa coisa antropofágica
Me leva a delírios 
De um belíssimo banquete
Um manjar 
Mais claro que a lua branca
Com detalhes de ameixas negras
Eu desconheço o sabor
Imagem em ação
Pensamentos meus
Como nuvens passeiam
Pelo céu ao sabor dos ventos
Não é um passeio lento
Não é um querer de sacro 
É um desejo bruto
Que não conhece o que é santo
Bato na boca
Benzo meus pensamentos
Banho gelado e água benta
Tiro a carne dos alimentos
Em sinal de penitência
Devo me purificar...
Palavras que voam ao vento.